III Artigo

AVALIAÇÃO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO ENSINO SUPERIOR

AMORIM, Francisco Ricardo Almeida

Eixo: Avaliação de ensino-aprendizado na educação a distância

Resumo

O presente artigo foi elaborado com o propósito de analisar avaliação de ensino-aprendizagem na educação a distância do Ensino Superior, contribuindo para ampliação do conhecimento. Como metodologia, realizamos observação de documentos publicados, resultados de pesquisa empírica e relatos de experiência. A justificativa da pesquisa foi demonstrar que avaliação de ensino-aprendizagem na educação a distância do Ensino Superior, necessita de melhorias no planejamento processual e utilização das novas tecnologias. Essas considerações configuram o problema de pesquisa deste estudo, bem como as tendências atuais. A ideia é mostrar que a avaliação, como instrumento processual por se só, não é adequada nem suficiente para as novas demandas em termos de ensino. Com a disseminação do ensino a distancia, novas formas de avaliação são necessárias, a fim de que o processo avaliativo se constitua em uma verdadeira ferramenta pedagógica, e que permita a demonstração da construção do conhecimento, na forma mais abrangente possível.

Palavras-chave: Avaliação, Novas Tecnologias, Ensino Superior.

1 INTRODUÇÃO

Este artigo tem como objetivo geral a proposta de analisar avaliação de ensino-aprendizagem na educação a distância do Ensino Superior. Nos últimos anos presenciamos mudanças pelo desenvolvimento Científico e Tecnológico com a nanotecnologia, as redes de alta velocidade, a comunicação sem fio, os dispositivos móveis, que gerou importantes transformações, envolvendo dimensões socioculturais, promovendo grandes mudanças no comportamento da sociedade, inclusive, novos caminhos para a produção do conhecimento. Hoje, a sociedade tem novas formas de comunicação, trazendo uma nova forma de agir e portanto novos modos de adquirir conhecimentos.

A justificativa da pesquisa foi demonstrar que avaliação de ensino-aprendizagem na educação a distância do Ensino Superior, necessita de melhorias no planejamento processual e utilização das novas tecnologias. Essas considerações configuram o problema de pesquisa deste estudo, bem como as tendências atuais.

Portanto, utilizar as tecnologias da informação e comunicação – TIC’S, como recursos de aprendizagem que favorecem a construção do aprendizado, possibilita desenvolver novas oportunidades da busca do conhecimento. Desta forma o ensino-aprendizado e avaliação estão adotando as ferramentas tecnológicas como nova modalidade, na construção e gestão de novos conhecimentos.

Dentre essas novas modalidades, destacamos a educação a distância, embasada pelo os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Esses ambientes possibilitam a comunicação bidirecional entres os atores do processo de ensino, aprendizagem e avaliação, permitindo o gerenciamento de informações auxiliando as tomadas de decisões além do acompanhamento pedagógico de todo o processo.

Nesse conceito, a educação a distância – EaD é tratada como uma estratégia educativa que utiliza a tecnologia como ferramenta.

A educação à distância associado às novas tecnologias da informação e comunicação possibilitam melhorias no aprendizado, tornando flexível a relação tempo-espaço. Desta forma trazendo resultados de melhorais no que se refere à prática educativa.

Baseando-nos nestas considerações, buscamos analisar sobre Avaliação de ensino-aprendizagem na educação a distância do Ensino Superior, na perspectiva da afirmação de uma novo ponto de vista de avaliação do ensino-aprendizado, atendendo às novas exigências da sociedade. O artigo está dividido em três partes.A primeira parte trata da EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, foi elaborado a partir da necessidade de compreender a educação a distância no ensino superior. Na segunda parte AVALIAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZADO, trata da compreensão avaliação no ensino-aprendizado e a terceira parte AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO ENSINO SUPERIOR, que destaca as novas tecnologias como oportunidade de melhoria na avaliação. Apresentaremos, ainda, as considerações finais.

2 A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Educação a Distancia – EaD vem sendo conceituada como: uma estratégia educativa baseada na aplicação da tecnologia à aprendizagem, e por isso, não obedece a limites de lugar, tempo, ocupação ou idade. Elementos que demandam novos papéis para alunos e professores, bem como novas atitudes e novos enfoques metodológicos.

Para Moore e Kearsley (2007), EaD:

O processo de ensino e aprendizagem planejado que exige tecnologias e metodologias especiais, capazes de contemplar os processos de comunicação e interação entre os sujeitos envolvidos.

Portanto, a Educação a Distância é uma modalidade educacional com características especificas e que, funciona de acordo com uma legislação própria. De acordo com Alves (2009), tanto a inexistência quanto o excesso de normas de regulamentação podem ser prejudiciais ao desenvolvimento da EaD.

Atualmente, as principais leis que regulamentam a EaD no Brasil são as seguintes:

  • Lei no. 9.394 de 20/12/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB): legaliza o uso de EaD na educação formal do Brasil.
  • Portaria no. 4.059 de 10/12/2004: autoriza a introdução de disciplinas no modo semipresencial em até 20% da carga-horária total de cursos superiores reconhecidos.
  • Portaria no. 4.361 de 29/12/2004: regulamenta o credenciamento de instituições de ensino para o uso regular de EaD em seus processos.
  • Decreto Nº. 5.622, de 19/12/2005, regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB), definindo a política oficial de educação a distância no país.
  • Decreto N.º 5.773, de 09/05/2006, dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e seqüenciais no sistema federal de ensino.
  • Decreto N.º 6.303, de 12/12/2007, altera dispositivos dos Decretos nos 5.622, de 19/12/2005, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 5.773, de 9/05/2006, que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e seqüenciais no sistema federal de ensino.
  • Portaria Nº 10, de 02/07/2009 do Ministério da Educação, Fixa critérios para dispensa de avaliação in loco e dá outras providências.

Portanto, a Educação Superior a Distância é a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. Esta definição está presente no Decreto 5.622, de 19.12.2005 (que revoga o Decreto 2.494/98), que regulamenta o Art. 80 da Lei 9.394/96 (LDB).

Em suma, é possível compreender a Educação a Distância como uma ferramenta desenvolvida por sistemas educativos para oferecer educação a alunos que, por razões diversas, têm dificuldade de acesso a serviços educativos regulares.

Um exemplo de Educação a Distância – EaD é a Universidade Aberta do Brasil, que é um sistema integrado por universidades públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da metodologia da educação a distância. O público em geral é atendido, mas os professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação, seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos estados, municípios e do Distrito Federal. Hoje atendendo as regiões brasileiras e diversas classes de profissionais.

O Sistema UAB foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006, para “o desenvolvimento da modalidade de educação a distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no País”. Fomenta a modalidade de educação a distância nas instituições públicas de ensino superior, bem como apoia pesquisas em metodologias inovadoras de ensino superior respaldadas em tecnologias de informação e comunicação. Além disso, incentiva a colaboração entre a União e os entes federativos e estimula a criação de centros de formação permanentes por meio dos pólos de apoio presencial em localidades estratégicas.

O Sistema UAB funciona como articulador entre as instituições de ensino superior e os governos estaduais e municipais, com vistas a atender às demandas locais por educação superior.

Essa articulação estabelece qual instituição de ensino deve ser responsável por ministrar determinado curso em certo município ou certa microrregião por meio dos pólos de apoio presencial.

A organização de um sistema de EaD não se resume à determinação dos aspectos meramente tecnológicos de apoio à aprendizagem. Pimentel et al (2005) afirmam que as políticas de EaD que enfatizam apenas a tecnologia são…

…a causa principal do fracasso de várias experiências aqui no país. Por isso, tanto na definição de estratégias técnicas e pedagógicas quanto na produção de materiais para os cursos, é de suma importância o trabalho integrado de uma equipe multidisciplinar – com psicólogos, pedagogos, produtores e comunicadores – que priorize a didática, sem nunca perder de vista as características dos estudantes (PIMENTEL et al, 2005, p. 36).

Portanto, a educação a distância tem que ser planejada, definida os seus objetivos, a adoção de uma proposta pedagógica consistente com a visão de educação da instituição responsável, bem como de mecanismos de interação entre os alunos e de avaliação da aprendizagem. Segundo Tassigny (2001, p. 3), esses requisitos pressupõem o envolvimento dos diferentes atores nos sistemas de EaD: autor pedagógicos, técnico de produtos e multimídias educativas, tutor ou formador.

Cordeiro (2006) também apresenta um modelo sistêmico de EaD, que traduz uma visão bastante abrangente do que pode vir a constituir um programa de EaD. A autora se refere a elementos de planejamento, distribuição, acompanhamento e gerenciamento. Em cada um desses componentes há diferentes atores que trabalham coletivamente para o desenvolvimento satisfatório do sistema.

2.1 Ambiente Virtual de Aprendizado – AVA

Os Ambientes virtuais de aprendizagem são conjuntos de softwares que auxiliam na estrutura de conteúdo educacional disponibilizado pela web. Desenvolvido para auxiliar os docentes no gerenciamento de conteúdos para seus alunos e na administração do curso, permite acompanhar em tempo real o progresso dos estudantes. Um dos exemplos como ferramenta para a Educação a Distancia – EaD, e para complementar aulas presenciais. Os softwares do AVA trazem consigo discussões pedagógicas para o desenvolvimento de metodologias educacionais, utilizando canais de interação web ganhando espaço no cotidiano aos educadores pelo fato de possibilitarem fácil manuseio, controle de aulas, discussões, apresentações, interação em tempo real, avaliações, vídeos, etc.

Para o Ministério da Educação (2007), conceitua Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) como:

programas que permitem o armazenamento, a administração e a disponibilização de conteúdos no formato Web. Dentre esses, destacam-se: aulas virtuais, objetos de aprendizagem, simuladores, fóruns, salas de bate-papo, conexões a materiais externos, atividades interativas, tarefas virtuais (webquest), modeladores, animações, textos colaborativos (wiki)

Por ambientes podemos entender tudo aquilo que envolve pessoas, natureza ou coisas, objetos técnicos. Já o virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. Lévy (1996) em seu livro O que é o virtual? Esclarece-nos que o virtual não se opõe ao real e sim ao atual. Virtual é o que existe em potência e não em ato. Citando o exemplo da árvore e da semente, Lévy explica que toda semente é potencialmente uma árvore, ou seja, não existe em ato, mas existe em potência.

3 AVALIAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZADO

 A avaliação tradicional no ensino-aprendizado relaciona-se a hierarquia de aprovações de níveis, uma forma de qualificação dos alunos, com provas escritas ou orais, trabalhos complementares para atingir uma escala. As avaliações tem como objetivo classificar, e não melhorar o processo de ensino-aprendizado. A avaliação tem com objetivo de identificar o que não foi aprendido e favorecer um aprendizado, analisando as deficiências, realizando praticas para suprir as necessidades, servindo como base a análise do comportamento do avaliado no seu aprendizado, consequentemente na sua altovaliação, possibilitando ações de melhorias e não de repreensão.

3.1 Avaliação

O conceito de avaliação tem relação com as teorias aplicadas na administração de pessoas. Segundo Chiavanato (2014), a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do trabalho de cada pessoa, em função das tarefas que ela executa, das metas e resultados alcançados e do seu potencial de desenvolvimento.

Avaliação segundo Stufflebeam (1971) é um processo de identificar e coletar informações que permitam aos administradores a tomada de decisões.

Portanto, avaliar é identificar o que deve ser ou pode ser mudado, consequentemente evoluído no ensino-aprendizado, aceitando as críticas e melhorando as dificuldades. A mudança depende de todos os atores, tanto aluno como professores.

3.2 Avaliação no Ensino-Aprendizado

A avaliação no ensino-aprendizado pode ser entendida como um processo de análise quanti-qualitativa referente ao ensino dos alunos. A avaliação possibilita verificar se os objetivos foram atingidos e realizados. Através de formas diferentes é possível avaliar o desenvolvimento do aluno, e assim, obter o resultado para dar continuidade no processo de ensino-aprendizado.

Na forma tradicional o aluno pode ser classificado, com baixo aprendizado, médio ou alto aprendizado, nesta perspectiva quantitativa, muitas vezes não conseguimos mensura os entraves estabelecidos, pelo fato da avaliação se encerrar nesta etapa, não oferecendo mudanças que proporcionem avanços aos níveis de aprendizagem dos alunos.

De acordo com a visão de Luckesi (2005) a avaliação interpretada de maneira tradicional pode ser denominada exame. Pois, esta possui características, que muitas vezes privam e excluem o aluno de desenvolver a sua aprendizagem. Ou seja, esta é seletiva, quantitativa ou o aluno é aprovado ou reprovado. É pontual, não considera o antes e o depois, apenas o agora, o que o aluno aprendeu no momento, não obstante como este atingiu o aprendizado, nem se este poderá aprender mais. A avaliação vista deste modo, segundo este autor é considerada também como classificatória, ou seja, importa-se mais com a nota do que aprendizagem.

Portanto, a avaliação tradicional não identifica a causa da ineficiência do ensino-aprendizado, comprometendo o desenvolvimento do aluno. Neste sentido a avaliação tradicional causa sérios danos ao ensino-aprendizado.

Para Sarrabbi (1971), a avaliação educativa é um processo complexo, que começa com a formulação de objetivos e requer a elaboração de meios para obter evidencia de resultados, interpretação dos resultados para saber em que medida foram os objetivos alcançados e formulação de um juízo de valor.

Classificamos ainda, a avaliação em “diagnóstica” que objetiva identificar o grau de conhecimento, avaliação “processual” objetiva apresentar o resultado do aprendizado em todo seu estágio.

A avalição do ensino-aprendizado deve ser aplicada do tipo processual, pois diagnóstica uma situação e permite modificá-la ao identificar a ineficiência do ensino-aprendizado. Aplica-se em todas as fases do processo de ensino-aprendizado, conseguintemente do programa de avaliação.

 4 AVALIAÇÃO NO ENSINO-APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO ENSINO SUPERIOR

Avaliação da aprendizagem na educação a distância do ensino superior visa trabalhar o pensamento, transformando o aluno no construtor do seu próprio conhecimento, tornando suas ideias independentes, traçando os caminhos, assim como o processo de avaliação deve ser realizada ao longo do curso através de ações de interação, observação, participação, colaboração e provas ou testes.

Desta forma o planejamento de avaliar na educação a distância deve levar em consideração todos os aspectos pertinentes ao ensino-aprendizagem dos alunos. Aspectos esses como os dispositivos móveis, a computação nas nuvens, as redes de alta velocidade, a nanotecnologia, não apenas a avaliação processual.

No Brasil, foi elaborado pela Secretária de Educação a Distância do MEC, um documento de Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância, visando colaborar com a regulação, supervisão e avaliação da EaD. Dentre outras coisas, este documento traz algumas orientações sobre concepções teórico-metodológicas específicas para a EaD e sobre a organização de sistemas nesta modalidade. De acordo com Brasil (2007, p. 2), os referenciais…

…têm como preocupação central apresentar um conjunto de definições e conceitos de modo a, de um lado, garantir qualidade nos processos de educação a distância e, de outro, coibir tanto a precarização da educação superior, verificada em alguns modelos de oferta de EAD, quanto a sua oferta indiscriminada e sem garantias das condições básicas para o desenvolvimento de cursos com qualidade.

Neste documento, constam orientações voltadas para a educação superior que podem servir de base para a elaboração de referenciais específicos, para os demais níveis educacionais que podem ser ofertados a distância.

Destacamos três aspectos que devem ser observados pelas instituições, em seu Projeto Político-Pedagógico, na preparação da avaliação do ensino-aprendizado na educação à distância:

  1. Avaliação da aprendizagem
  • Mecanismos para o permanente acompanhamento dos estudantes, no intuito de identificar e solucionar eventuais dificuldades de aprendizagem;
  • Deve acontecer de modo presencial e a distância;
  • A avaliação presencial deve prevalecer sobre outras formas de avaliação;
  • Meta-avaliacão: deve-se fazer um exame crítico regular no processo de avaliação da aprendizagem.
  1. Avaliação institucional
  • Tem como objetivo subsidiar o aperfeiçoamento dos sistemas de gestão e pedagógico;
  • Deve envolver os diferentes atores do programa de EaD: estudantes, professores, tutores, e quadro técnico-administrativo;
  • Precisa contemplar a avaliação das instalações físicas (laboratórios, salas de aula e bibliotecas) dos pólos e demais elementos tecnológicos, científicos e instrumentais que dão suporte ao curso;
  • Meta-avaliacão: deve-se fazer um exame crítico regular durante a avaliação institucional.
  1. Gestão acadêmico-administrativa
  • Deve estar integrada aos demais processos da instituição, oferecendo ao estudante,
  • Geograficamente distante, o acesso aos mesmos serviços disponíveis para o ensino tradicional;
  • Principais funções: supervisão das atividades de tutoria, produção e distribuição de materiais didáticos; definição das sistemáticas de avaliação da aprendizagem dos alunos; organização de um banco de dados, contendo um cadastro de estudantes, professores, coordenadores e tutores; controle do cadastramento de equipamentos; organização de um sistema de gestão acadêmica.

A educação a distância no ensino superior é um desafio, principalmente na avaliação do ensino-aprendizado, deve ser concebida num contexto mais amplo de educação, uma vez que requer elementos fundamentais na sua realização, além dos já existentes na educação presencial tradicional, “como concepção pedagógica, metodologia, conteúdo, infraestrutura física, tecnológica e de pessoal, entre outros, pautados pela construção da autonomia, pela inclusão social e pelo respeito á diversidade” (CAMPOS, 2010, p. 59).

Por todo exposto, ficou evidenciado que é essencial que se busque novas posturas e estratégias de engajamento no contexto da docência e da aprendizagem (SILVA, 2006), com o cuidado de não se repetir os equívocos da avaliação tradicional e não subestimar as potencialidades das novas tecnologias. Assim, é fundamental dar espaço para que o processo avaliativo contribua para que o aluno e professor formem o seu conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 É importante destacar que a avaliação é um processo contínuo que deve ocorrer nos mais diferentes momentos do ensino-aprendizado. A verificação e a qualificação dos resultados da aprendizagem no início, durante e no final das etapas da educação à distância, visam sempre diagnosticar e superar dificuldades, corrigir falhas e estimular os alunos a continuarem dedicando-se aos estudos.

Assim, observamos uma preocupação no planejamento de como desenvolver e realizar a avaliação processual na educação à distância. Ainda que existam alguns erros atualmente na sua utilização, observa-se uma grande preocupação em aperfeiçoar a avaliação.

É fundamental, que a simples aplicação da avaliação processual no ensino a distância não garante um resultado de qualidade, pois é certo que as modernas possibilidades de utilização das tecnologias na atividade pedagógica representam apenas um passo inicial na transformação do modelo tradicional. Porém, é necessário discutir outras possibilidades de ensino com o uso das novas tecnologias, pensando nas novas formas de comunicação social, no ensino, na pesquisa, na avaliação e numa infinidade de serviços que elas podem proporcionar. É necessário buscar novas metodologias para explorar as questões de interatividade, colaboração e virtualização.

Por fim, as possibilidades da avaliação da educação a distancia no ensino superior que se abre com as novas tendências tecnológicas são imensas, pois, afinal, as TICs estão em constante mudança, influenciando os processos de ensino-aprendizado e de vida. A tecnologia pode ser assustadora ao impor, de alguma maneira, nova estilos de vida, mas, ao mesmo tempo, pode ser libertadora ao permitir que o ser humano desenvolva suas potencialidades.

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